janeiro 01, 2011

Janeiro 2011 - nº. 59

As Ondas do Mar

A crise e o Novo Ano

Temos vivido cobertos por “nuvens cinzentas” que teimam em assinalar que o Novo Ano não vai ser fácil. Se estamos atentos ao que se passa à nossa volta, facilmente caímos na conta que há sinais fortes que nos fazem pensar e preocupar. Até porque, o ano que agora termina já não foi nada fácil para muita gente. A crise toca na vida de muitas pessoas, e parece que vai aumentando o número daqueles que sentem os seus efeitos mais imediatos. Por outro lado, persiste em nós o desejo de expressar um Bom Ano Novo àqueles com quem as circunstâncias da vida permitem encontro e relação. As origens de uma crise são múltiplas. Muitas vezes, as consequências económicas são o produto final de uma série de causas e efeitos. Não me vou deter sobre as suas causas, não só devido à sua complexidade, mas também por não ser este o espaço mais indicado para o efeito. Deter-me-ei, sim, sobre o desejo de que, como comunidade, vivamos um Novo Ano 2011 bom, reagindo contra a crise.

Continuamos a viver, na nossa comunidade paroquial, momentos de muito trabalho, (pastoral e material): dar Jesus a conhecer e celebrá-Lo em eucaristia, e simultaneamente procurando renovar as nossas estruturas, com empenho e compromissos que envolvem todos os que verdadeiramente se dedicam e comprometem com uma comunidade viva, que serve, e só serve se servir, e será tanto mais serviço quanto mais o for cada um dos membros que a constituem.

Não raramente, fui ouvindo frases como esta: “o que estamos a fazer é essencial para a vida e futuro da nossa comunidade paroquial… mas com esta crise… o melhor seria esperar que a crise passasse”. Não posso estar mais em desacordo! Nenhuma crise passará se cruzamos os braços e ficamos passivamente à espera! A crise não passa sem nós… de nós depende que passe connosco e passe com a maior brevidade possível! A raiz dos problemas e também das soluções, reside, antes de mais, nas atitudes interiores de cada pessoa. Tempos de crise são também tempos de oportunidades e de esperança ao alcance de cada indivíduo, grupo, instituição. Este é o tempo favorável de fazermos a diferença. Com os braços cruzados, à espera, o mundo passa por nós, e nós ficamos a olhar para ele, assistindo como espectadores. Se assim for, não entramos no dinamismo da história, nada seremos, se nada fizermos, se nada formos.

Desejo que todos tenham um Bom e Santo Ano Novo. Tudo o que vier a acontecer, será dom e pura graça. Mas o dom e a graça de Deus, o qual permanece sempre, age activamente em cada um de nós e caminha ao lado de todos os que fazem o melhor que de si depende e confiam a Jesus, aquilo que de cada um de nós não depende tanto.

Que o Novo Ano, que agora tem início, seja um ano de empenho, dedicação, generosidade, optimismo e esperança. Se assim for, não só teremos um bom ano, mas seremos ocasião para que este seja bom na vida de tantas pessoas à nossa volta: comunidade, família, vizinhos e até pessoas que nem conhecemos! Desejo a todos os paroquianos um santo e abençoado Ano Novo cheio de criatividade e fidelidade a Deus que age na vida daqueles que activamente se abrem à Sua graça.

Padre Francisco Rodrigues, s.j.


Hoje é também o Dia Mundial da Paz

A Paz que é obra da justiça e fruto do amor…
Todo o ano será cheio de PAZ, se Deus habitar no silêncio do nosso coração.



Aceitar o convite de ser catequista: Um desafio, uma missão,
grande responsabilidade!

Se, por um lado, somos interpelados pela consciência de que a formação doutrinal enquanto catequese é de importância vital no seio da comunidade católica em que vivemos, por outro, quando solicitados para a desenvolver e tomar partido na sua execução como catequistas, assombra de imediato no nosso espírito um conjunto de questões que quase nos impelem a responder: não, não estou disposto! Porquê? São inevitáveis questões como: Serei digno? Terei tempo? Serei capaz? Do que terei de abdicar?
“Egoísta! – Tu, sempre tu, sempre o que é teu. Pareces incapaz de sentir a fraternidade de Cristo nos outros, não vês irmãos; vês degraus. Pressinto o teu rotundo fracasso. E quando te tiveres afundado, quererás que tenham contigo a caridade que agora não queres ter” (S. Josemaria ESCRIVÁ in Caminho, 31). O egocentrismo invade-nos e afasta a nossa razão do essencial, do serviço, do amor ao próximo despreocupado. Ignoramos momentaneamente, o quanto foi importante para cada um de nós, o tempo junto do nosso catequista, dos nossos colegas de catequese e o quanto aprendíamos sem saber que crescíamos, na vida e no conhecimento de Deus nosso Senhor. Até que “… Maria disse, então: eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38-39). Face a estas palavras e a um confiante “sim” de Maria, mãe dos homens, uma força de ânimo rejuvenesce a nossa vontade.
A hesitação dá lugar ao SIM, questões tais como: “terei tempo?” respondemos: o que é o tempo se não o de Deus nosso Senhor? Face à interrogação do “serei capaz?” Surge a resposta da confiança, pois a capacidade necessária é-nos emanada pela graça do Divino Espírito Santo. E como reagir face à interrogação do quanto abdicaremos, a réplica certa é de que abdicaremos de muito! Mas, de tudo aquilo que não é de Deus, que não é parte essencial do crescimento dos filhos de Deus, surge a certeza do quanto ganhamos, recebemos. Enriquecemo-nos se dizemos SIM!
Ora, à perca, à incapacidade, ao tempo e à dignidade, Deus coloca ao nosso dispor todos os meios para que sirvamos da melhor forma o seu Reino, exigindo-nos apenas a nossa disponibilidade, a abertura dos nossos corações para O receber. “Esse grito - «serviam!» - é vontade de servir fidelissimamente a Igreja de Deus, mesmo à custa da fazenda, da honra e da vida.” (S. Josemaria ESCRIVÁ in Caminho, 519). Neste sentido, e na convicção de que a nossa vontade só pode passar por servir e contemplar Deus Nosso Senhor, todas as questões se dissipam, todos os horários se concentram no sábado e todos os medos se desvanecem no esforço de reunir em torno dos temas propostos o nosso grupo de crianças.
Estas esforçam-se por nos escutar, sempre radiantes e de sorriso sempre por aquela pequena hora em que cânticos, frases belas, leituras e ensinamentos se reúnem em torno de um objectivo comum: o do serviço.
Nuno Reis (Catequista)


Agradecer, Pedir perdão, Pedir Luz...

No final deste Ano de Graça, que apenas terminámos, e com o surgir do Novo Ano, proponho-vos uns simples tópicos, para vos ajudar a fazer um breve exame de consciência:

1. AGRADEÇO: com um coração alegre e confiante olho para Deus, para o mundo, para os outros, para mim próprio e agradeço todos os benefícios, dons, graças que recebi no ano 2010.

2. PEÇO PERDÃO: envolvido e acarinhado pelo Amor e pela Misericórdia de Deus, e com humildade, reconheço a minha fragilidade, o meu pecado, e peço perdão pelo bem que deixei de fazer e pelo mal que fiz, por palavras, actos e omissões. E proponho emendar-me!

3. PEÇO LUZ: já no vestíbulo de entrada do ano de 2011, peço a Deus, fonte de todas as graças, luz para o meu caminho, para o meu discernimento, para as minhas escolhas, e muita esperança, confiança, generosidade, alegria, paz…. E que seja mais disponível e atento a Ele e aos outros!
P. Hermínio Vitorino, sj


OPCÇÃO PELOS MAIS POBRES - ENCONTRO DE FORMAÇÃO


Estamos particularmente conscientes da necessidade premente de trabalhar pela justiça através de uma opção preferencial pelos pobres e de um estilo de vida simples, que expresse a nossa liberdade e solidariedade com eles (CVX—PG4)

A opção preferencial pelos mais pobres não devia ser uma temática necessária a reflectir, a discutir, ou a meditar por parte das comunidades cristãs. Tão simplesmente porque faz parte da essência do cristianismo.
Como ser cristão, discípulo e seguidor de Jesus se realmente não se faz essa opção pelos mais pobres no dia-a-dia? Não é possível ser cristão de outra maneira, não é possível ser cristão sem esse olhar mais específico, sem essa atenção mais direccionada para os mais pobres, para os mais excluídos. Não pode ser de outra maneira … porque é Jesus quem nos ensina, quem nos convida, quem nos confirma…
Foi com esta interpelação que no passado dia 27 de Novembro, na Paróquia de S. Pedro, o Pe. Paulo Teia, sacerdote jesuíta, iniciou o encontro de formação “Opção pelos mais pobres” promovido pela Comunidade de Vida Cristã da Região da Beira Interior (CVX-BI).
O Pe. Paulo, ao longo dos seus 21 anos na Companhia de Jesus, tem sempre revelado uma grande sensibilidade, apelo e disponibilidade para o trabalho, o convívio e a amizade com os mais pobres e excluídos que vai encontrando por onde passa e vive. Actualmente reside na Comunidade S. Pedro de Claver, no Pragal (Almada).
No Encontro, teve oportunidade de partilhar as suas vivências, as suas dificuldades, mas também a sua humildade, e testemunhar a certeza de quem sabe onde assenta o seu trabalho. Aliás, na parte da manhã fez uma proposta de reflexão e oração, precisamente para que cada um dos participantes se confrontasse directamente com 2 aspectos da dinâmica mais profunda da nossa vida: (1) é na medida que eu souber quem é Jesus para mim, que eu sei através d’Ele quem eu sou; (2) por outro lado, a minha identificação, o meu seguimento, a minha intimidade com Jesus passa necessariamente por aceitar o Seu programa de vida.
E esse programa é bem claro… também Jesus escolheu preferencialmente os mais pobres. Toda a sua vida, desde o nascimento até à ressurreição, foi junto dos simples, dos excluídos, dos cativos, dos necessitados… dos pequenos. E fez essa escolha, não de uma maneira altiva, superior, fazendo juízos de valor, de quem espera retribuição ou recompensa…
Como nos explicava o Pe. Paulo Teia da parte da tarde, através da partilha da sua experiência espiritual e pastoral no Pragal e em Rabo de Peixe, é fundamental que esta abertura, esta partida ao encontro dos outros, em condições desfavoráveis, seja aberta às diferentes possibilidades, dando prioridade ao que existe, à realidade sem julgamentos, sem imposições, mas com a certeza de que “Jesus ama aquelas pessoas mais do que eu; Jesus já lá estava antes de eu chegar”, citando directamente o Pe. Paulo Teia.
É fundamental construir laços de humanidade, de amizade e de compaixão, a partir de uma posição humilde e de serviço, sem querer ser mais alto, ou ser o protagonista, ou ver o outro como um simples objecto da minha acção.
Outro aspecto referido relaciona-se com a pobreza de quem vai ao encontro, de quem aprende a viver com o que tem, à luz da indiferença inaciana, pois sendo pouco ou muito (coisas, sentimentos, relações, sucessos), o fundamental é o amor de Deus que vem continuamente até nós, e que nos suporta e alenta. É precisamente nas nossas fragilidades, que se manifesta a força de Deus, pois só quando somos frágeis é que podemos ser sensíveis às fragilidades dos outros, e assim estamos em condições de podermos ser construtores de relações justas, por acção directa de Deus-Pai em nós.
É curioso como a pedagogia que Deus usa connosco é caminho para a podermos utilizar uns com os outros.
Contemplemos o modo como Deus vem ao nosso encontro, como Deus estabelece uma relação connosco… não do alto, mas próximo, despojado, em humildade, de quem precisa de nosso amor e empenho, apesar das nossas pobrezas…Olhemos para este Deus que não desiste de nós, que continua a vir ao nosso encontro,que continua a acreditar em nós, apesar das nossas respostas nem sempre serem fiéis ao Seu amor…
O Pe. Paulo Teia teve ainda a oportunidade de mostrar e explicar o projecto “ Rabo de Peixe Sabe Sonhar” desenvolvido junto das crianças e das famílias desta vila na ilha de S. Miguel, marcada por uma situação de real pobreza e miséria, onde coexistem de forma sucessiva diversos problemas como o álcool, a fome, a violência doméstica e o absentismo escolar.
Em suma… Será que é legítimo colocar a um cristão, a questão concreta de fazer ou não uma Opção pelos mais pobres? Geralmente fazem-se opções quando há alternativas... Neste caso não há!!!
Como nos dizia o Pe. Paulo Teia, as palavras de Jesus na Sinagoga em Nazaré são as nossas, se soubermos responder verdadeiramente quem é Jesus… «O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu para anunciar a Boa-Nova aos pobres; enviou-me a proclamar a libertação aos cativos e, aos cegos, a recuperação da vista; a mandar em liberdade os oprimidos, a proclamar um ano favorável da parte do Senhor».
Lc 4, 18-19
Rui Brás (Presidente da CVX B.I.)

Mensagem de Bento XVI para o Dia Mundial da Paz 2011

lIBERDADE RELIGIOSA, CAMINHO PARA A PAZ

No início de um ano novo, desejo fazer chegar a todos e cada um os meus votos: votos de serenidade e prosperidade, mas sobretudo votos de paz. Infelizmente também o ano que encerra as portas esteve marcado pela perseguição, pela discriminação, por terríveis actos de violência e de intolerância religiosa.

LIBERDADE RELIGIOSA, CAMINHO PARA A PAZ

O mundo tem necessidade de Deus; tem necessidade de valores éticos e espirituais, universais e compartilhados, e a religião pode oferecer uma contribuição preciosa na sua busca, para a construção de uma ordem social justa e pacífica a nível nacional e internacional.
A paz é um dom de Deus e, ao mesmo tempo, um projecto a realizar, nunca totalmente cumprido. Uma sociedade reconciliada com Deus está mais perto da paz, que não é simples ausência de guerra, nem mero fruto do predomínio militar ou económico, e menos ainda de astúcias enganadoras ou de hábeis manipulações.
Pelo contrário, a paz é o resultado de um processo de purificação e elevação cultural, moral e espiritual de cada pessoa e povo, no qual a dignidade humana é plenamente respeitada. Convido todos aqueles que desejam tornar-se obreiros de paz e sobretudo os jovens a prestarem ouvidos à própria voz interior, para encontrar em Deus a referência estável para a conquista de uma liberdade autêntica, a força inesgotável para orientar o mundo com um espírito novo, capaz de não repetir os erros do passado. Como ensina o Servo de Deus Papa Paulo VI, a cuja sabedoria e clarividência se deve a instituição do Dia Mundial da Paz, «é preciso, antes de mais nada, proporcionar à Paz outras armas, que não aquelas que se destinam a matar e a exterminar a humanidade. São necessárias sobretudo as armas morais, que dão força e prestígio ao direito internacional; aquela arma, em primeiro lugar, da observância dos pactos».[18] A liberdade religiosa é uma autêntica arma da paz, com uma missão histórica e profética. De facto, ela valoriza e faz frutificar as qualidades e potencialidades mais profundas da pessoa humana, capazes de mudar e tornar melhor o mundo; consente alimentar a esperança num futuro de justiça e de paz, mesmo diante das graves injustiças e das misérias materiais e morais. Que todos os homens e as sociedades aos diversos níveis e nos vários ângulos da terra possam brevemente experimentar a liberdade religiosa, caminho para a paz!
Vaticano, 8 de Dezembro de 2010.

BENEDICTUS PP XVI

(Extractos da Mensagem)

dezembro 27, 2010

Dezembro 2010 - nº. 58

As Ondas do Mar

A Imaculada Conceição

Uma vez mais, a 8 de Dezembro, celebramos a Solenidade de Nossa Senhora da Conceição, Padroeira de Portugal. A Imaculada Conceição, Senhora do Advento, faz caminho connosco.
O termo Imaculada Conceição significa que a Bem-Aventurada Virgem Maria foi preservada e isenta de toda a mancha do pecado original, desde o primeiro instante da sua concepção. Foi preservada por uma graça singular e um privilégio de Deus, em virtude dos méritos de Cristo Jesus, Salvador do género humano. De Maria, humilde serva do Senhor, nasceu Jesus: “o Verbo fez-se carne e habitou entre nós” (Jo. 1,14). O privilégio de Maria aconteceu, porque ela foi chamada a ser a mãe do Redentor. Chamada, porque se deixou chamar. Escolhida, porque livremente se deixou escolher. Nos planos de Deus tudo acontece para bem se O amamos nas nossas histórias de cada dia.
Curiosamente, o dogma da Imaculada Conceição, antes de ser proclamado oficialmente pela Igreja, já era vivido pelo povo santo de Deus que sempre reconheceu em Maria o que Deus tinha operado nela. Maria, a Mãe de Jesus e nossa mãe, entrou na história de Deus connosco e entrou também na nossa história como nação, como povo. Sem Maria, a história de Portugal não teria sido a mesma.
De facto, nas cortes celebradas em Lisboa no ano de 1646, o rei D. João IV tomou a Virgem Nossa Senhora da Conceição por padroeira do Reino de Portugal. Ordenou o mesmo soberano que os estudantes na Universidade de Coimbra (nesse período, uma das poucas universidades de referência na Europa) antes de tomarem algum grau, jurassem defender a Imaculada Conceição da Mãe de Deus. Apesar de não ter sido D. João IV o primeiro monarca português a colocar o reino sob a protecção da Virgem, foi sem dúvida aquele que tornou permanente uma devoção, e que os nossos reis acolheram. Assim, foi pela provisão de 25 de Março do referido ano de 1646 que se mandou tomar por padroeira do reino Nossa Senhora da Conceição. Porém, o dogma da Imaculada Conceição foi definido mais tarde, pelo papa Pio IX, a 8 de Dezembro de 1854, pela bula Ineffabilis. A instituição da ordem militar de Nossa Senhora da Conceição por D. João VI sintetiza o culto que em Portugal sempre teve essa crença antes de ser dogma.
Estamos em pleno tempo de Advento, Maria tem nele um lugar privilegiado. Não só nos dá Jesus, como colabora activamente na obra da redenção da humanidade. Sendo Mãe de Cristo cabeça, ela é Mãe do Cristo total, de que nós somos parte: a Igreja que Deus quer santa e imaculada.
A liturgia que celebramos na festa da Imaculada torna presente a mesma força de graça do Espírito Santo que preservou Maria do pecado original e a levou a ser fiel à vontade de Deus até ao fim, até à cruz, até ao Cenáculo e ao início da primeira comunidade cristã. Somos chamados à santidade. Não podemos imitar Maria na pureza da sua Conceição. Mas podemos segui-la na fidelidade a Cristo, na sua condição de discípula, na sua peregrinação de fé. Precisamos de vocações decididas para o serviço simples e pobre do reino dos deserdados, dos pecadores, dos que não têm poder nem dinheiro, nem qualquer tipo de influência. Ao lado desses é que deve estar a igreja, deve estar cada um de nós, sem fugir a anunciar as bem-aventuranças aos ricos e poderosos deste mundo como fez Cristo, quando visitou Zaqueu, Mateus ou o fariseu rico. De facto, há tanta gente tão pobre que só tem coisas; e tanta gente tão rica que só de afecto e de um olhar sensível e acolhedor.
A Igreja não busca poder. E quando tem poder, é poderosa se o coloca ao serviço da sua missão. Por isso, a Igreja busca imitar o seu Redentor que, no Natal do Verbo de Deus, celebra a festa d'Aquele que sendo rico se fez pobre por nossa causa. O serviço da evangelização e o serviço ao mundo moderno há-de ser marcado por esta insígnia: quando sou fraco é que sou forte, quando me ponho ao lado dos mais pobres é que sirvo e amo a Cristo Senhor. Maria, a Senhora Imaculada Conceição, é o exemplo acabado da Serva que se põe ao serviço do seu Senhor: “faça-se em mim, segundo a tua Palavra” (Lc 1,38). Padre Francisco Rodrigues, s.j




A pobreza de Maria é vazio total de si mesma, para se encher de graça, para ser plenitude de Deus, para ser a Mãe de Deus e de todos os homens.





CORO DA CATEQUESE
DA IGREJA DE S. TIAGO

Motivado pelo Padre Francisco Rodrigues, o Coro da Catequese teve o privilégio de gravar um CD.
Graças à boa vontade e à disponibilidade de muitos outros, pôde dar-se rapidamente início a esta “viagem”. Foram alguns meses de bastante trabalho e dedicação por parte de todos os elementos do Coro, mas valeu a pena. Pois nesta gravação podem ouvir-se temas com alguma variedade de géneros.
Para este projecto foram essenciais as coordenadoras do coro, crianças e respectivas famílias. Assim a equipa conseguiu realizar um bom trabalho que deu muito prazer e gratificação a todos os envolvidos.
O lançamento que ocorreu no dia 26 de Novembro, na Igreja de S. Tiago, foi um momento apoteótico, viveu-se em família e com júbilo, num só instante, o trabalho de muitos momentos. Conseguiu-se com este projecto a realização de um sonho nunca ousado pensar.
O CD encontra-se disponível na Secretaria da nossa Comunidade Paroquial.

Ângela Calheiros

julho 31, 2010

Julho 2010 - nº. 57


Santo Inácio de Loyola

A 31 de Julho celebramos o dia de Santo Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus, ordem religiosa a que pertencem os padres jesuítas da Igreja de S. Tiago. Quem conhece a história deste grande homem e santo do século XVI, dificilmente ficará alheio ao legado que deixou à Igreja e ao mundo do seu tempo. De facto, Santo Inácio de Loyola, só porque permitiu que Deus o trabalhasse como barro nas mãos do oleiro, deixou um rico tesouro espiritual que nos nutre espiritualmente e marca o nosso modo próprio de ser Igreja. Por isso, celebrar Santo Inácio de Loyola não significa olhá-lo como relíquia do passado, mas, sim, reconhecê-lo no presente através da espiritualidade que nos legou, cujo carisma nos caracteriza e identidade nos define. Este modo de acolher e viver o Evangelho torna a espiritualidade inaciana sempre actual. De facto, em Inácio de Loyola foi notável o modo como descobriu Deus no meio de contratempos, sofrimentos e paradoxos da vida. Mais: Inácio de Loyola ficou para a história como o homem do Magis (mais). Mas ele, ao descobrir o Magis reconheceu-se como discípulo, ouvinte, disponível para aprender e fazer caminho. Sim, Inácio descobre-se pequenino, mas com os olhos fixos no Magis que o remete para Deus. Esta vivência espiritual só foi possível na medida em que ele descobriu e saboreou o essencial da vida. De facto, a espiritualidade que nos deixou está recheada de ‘essencial’. Face ao essencial, tudo passa: passam as pessoas, os tempos e as vontades, passam as culturas, as modas e as mentalidades, mas o carisma e a proposta espiritual de Inácio de Loyola não passa, porque radica no essencial e o essencial para santo Inácio consiste em encontrar e conhecer Jesus intimamente.
No termo deste ano pastoral, desejamos que tenha sido este o mote inspirador: conhecer internamente a Jesus em tudo o que fizemos, fomos, vivemos e construímos. Não pode haver outra motivação para tudo o que fomos e nos juntou como comunidade. Se assim não fosse, não falaríamos a mesma linguagem, não seriamos guiados pelo mesmo Espírito, não nos alimentaríamos da mesma mesa, a mesa da fracção do pão. Agradecemos a Deus o ano que vivemos, pedimos-Lhe perdão e uns aos outros por nem sempre sermos pessoas de fé. Agradecemos-Lhe o passado, reconhecemo-Lo no presente como ‘Presente’, e confiamos-Lhe o futuro; um futuro cheio de esperança, ânimo e desejo de construir. Desejamos e pedimos-Lhe que cada vez mais, Ele purifique as nossas motivações. Que a espiritualidade inaciana nos inspire a sermos mais fieis, mais simples e mais dóceis a Deus e à Igreja a que pertencemos. E que tudo seja AMDG (Ad Majorem Dei Gloriam - para maior glória de Deus).

Padre Francisco Rodrigues, s.j.
UMA VIDA
UMA PROCURA


Quando me foi pedido para escrever para o Mar da Galileia, pensei escrever sobre as Conferências de S. Vicente de Paulo para Jovens… Depois de começar a “rabiscar”, resolvi que deveria falar aos jovens do Jovem que criou as Conferências de S. Vicente de Paulo: António Frederico Ozanam. Se já conhecerem a vida deste grande homem do nosso tempo, nunca é demais relembrá-la, pois com a sua fé e profundo amor a Deus conseguiu que um dos seus sonhos se continue a concretizar. “GOSTARIA DE ENVOLVER O MUNDO INTEIRO NUMA REDE DE CARIDADE”. O que são as Conferências de S. Vicente de Paulo, senão uma rede de caridade pelo mundo inteiro?
Estamos já em 138 países, somos cerca de 50.000 Conferências e mais ou menos 900.000 Vicentinos.
Ozanam nasceu em Milão no dia 23 de Abril de 1813 e veio para Lyon em 1816 com os pais, onde passou a sua meninice. Os seus pais, que eram católicos, transmitiram-lhe valores cristãos que ele aprendeu e começou a viver intensamente. Aos 18 anos (1831), deixou Lyon e foi estudar para Paris, onde se doutorou em Direito com 23 anos e em Letras, tinha ele 26 . Aos 27 anos, depois de um exigente concurso, tornou-se professor universitário, filósofo, historiador, escritor, jornalista e investigador. Em todas estas áreas desempenhou na sociedade do seu tempo um papel importante e escreveu páginas de alta qualidade literária e científica. Mas ao chegar à Universidade, ficou chocado com o ambiente anti-clerical e anti-Igreja, que grassava tanto entre colegas como nos professores. Reagiu sempre fortemente aos ataques à Igreja, tendo marcado a sua posição de católico firme.
Tendo escrito aos 18 anos um artigo notável sobre a doutrina de Saint-Simon (filósofo francês), passou então a centrar os seus estudos em temas religiosos, com o propósito de demonstrar o papel relevante da Igreja na civilização humana.
Das várias polémicas que se criaram devido a publicações e conferências, ressaltava sempre a conhecida pergunta: “Sem dúvida que a Igreja católica tem tido uma acção relevante ao longo da história dos homens, mas hoje ONDE ESTÃO AS PROVAS DA VOSSA FÉ?... Ao que Ozanam respondeu por sugestão de alguns amigos e companheiros: “POIS VAMOS AOS POBRES, COMO NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, PREGAR JUNTO DELES O EVANGELHO”.
Ozanam concluiu que era preciso agir como Jesus Cristo que se tornou homem, foi ofendido, humilhado e torturado até à cruz, para que entendêssemos que é preciso amar e servir o próximo, como Ele Serviu e Amou.
Só através da oração, da justiça, da caridade, da igualdade e da fraternidade se pode provar o nosso amor a Deus e a nossa fé. Ozanam e os seus amigos estavam longe de se aperceberem da dimensão universal da mensagem gerada nas suas almas. Assim, foi criada a 1ª. Conferência em Abril de 1833, que logo Ozanam pôs sob a protecção de S. Vicente de Paulo (de quem tomou o nome) e da Virgem Maria.
Não teremos nós hoje de responder à mesma pergunta? Que resposta damos? Como estamos junto dos que mais sofrem de solidão? Porque estão desempregados, porque têm empregos precários? Porque são incompreendidos? Porque necessitam de bens essenciais? Porque são marginalizados?
Assim como iniciei, vou terminar, jovens! Abraçai esta causa.
Correia Saraiva



E o meu próximo quem é?






Visita do Provincial Padre Nuno Gonçalves à Comunidade Paroquial

19 a 22 de Junho

Serão musical

Mais uma vez, à semelhança do que acontece todos os anos, tivemos de novo, entre nós durante três dias, o Pe. Nuno Gonçalves, provincial dos jesuítas Portugueses. A essência deste grande encontro assentou na partilha de tudo o que fomos e vivemos durante este ano pastoral. As mudanças, as obras, as conquistas, as surpresas...Quisemos compartilhar e agradecer tanto bem que recebemos. E, porque a vida de uma comunidade também se faz de memórias e a memória guarda a história da nossa vida, aqui fica, como registo esta magnífica imagem, que representa alguns dos momentos vividos nesse fim de semana.
Sandra Soares

Jantar convivio