abril 12, 2012

Páscoa 2012 - nº. 65

                      AS ONDAS DO MAR

Jesus Ressuscitou! É este o canto de alegria que renovamos todos os anos na Páscoa! Nele ressoa, através dos tempos, o espanto e a alegria que as Santas Mulheres e os Apóstolos viveram no “primeiro dia da semana”, no primeiro dia da eternidade sem tempo em que o Verbo de Deus encarnado ressuscitou dos mortos e se manifestou, vivo, aos discípulos!
Dos relatos canónicos, que a Igreja conservou ao longo dos séculos, podem esboçar-se quatro quadros que nos ajudam a reviver o acontecimento.

1º A dedicação pela Pessoa de Jesus, manifestada no amor e coragem das Santas Mulheres, de quem, Maria Madalena é o melhor exemplo (não considerando o caso muito especial da Mãe de Jesus). São elas que O acompanham ao Calvário, o que parecia ser o fim de tudo, e são ainda elas as primeiras a querer ultimar os cuidados devidos ao corpo do Senhor.

2º A surpresa do sepulcro vazio! “Levaram o Senhor”, foi a primeira reacção! “Ainda não tinham entendido as Escrituras”! Mas o sepulcro aberto ajudou também a abrir-lhes o entendimento!

3º “Viram e acreditaram!” É estranho que tenham acreditado só pelo que viram: um sepulcro aberto, os lençóis e ligaduras arrumadas! Mas foi então que tudo começou a fazer sentido!... Os escritos dos Profetas e os sucessivos anúncios que o próprio Jesus tinha pronunciado… Faltava-lhes a manifestação do Senhor vivo! De qualquer modo, mereceram a aparição de Jesus Ressuscitado, mesmo antes dos Apóstolos.

4º O testemunho da Ressurreição. Foram elas, em primeiro lugar, a levá-lo aos Apóstolos que até não as tomaram muito a sério. Mas, depois, “testemunho” e seus derivados são as palavras mais usadas nos Actos dos Apóstolos. A cada passo, estes recorrem à força do testemunho para convencer os seus ouvintes de que Jesus está vivo junto do Pai e quer atrair a Si todos os homens, para ao salvar, lhes dar um sentido de existir!
Até que ponto é que a minha dedicação pela Pessoa de Jesus me leva também ao “testemunho”? Não há outro modo de dar a conhecer a força da Sua Ressurreição!

MUITO BOAS-FESTAS NA ALEGRIA DO SENHOR RESSUSCITADO!
P. Manuel Vaz Pato, sj



O Abraço de Deus

Jesus desde o nascimento até à Ressurreição, e para sempre, abraça muitos, abraça todas e todos os que, livremente, aderem a Ele. No abraço de Jesus cabem todos. Ele quer e consegue abraçar todos e acolhe-os no abraço carinhoso, amoroso, eterno!
O abraço de Jesus é um abraço aberto, abrangente, acolhedor, inclusivo... nunca exclui, nunca se fecha, tem sempre lugar para mais um, porque tem os braços e o coração abertos na cruz, de onde sai sangue e água, sinal da Vida entregue que abraça outras vidas!
Vamos ilustrar este abraço de Jesus repassando alguns textos bíblicos, onde Jesus, com o Seu olhar, com as suas palavras, gestos, entrega, abraça toda a humanidade:

- No lava-pés, Jesus dá um abraço humilde e serviçal... naquele gesto tão simples e tão profundo Jesus, é capaz de servir e abraçar a todos, inclusive Judas, que o entregaria, pouco depois (cfr. Jo 13, 4-11).

- Na Última Ceia (instituição da Eucaristia): “Enquanto comiam, tomou um pão e, depois de pronunciar a bênção, partiu-o e entregou-o aos discípulos dizendo: «Tomai: isto é o meu corpo. […] Isto é o meu sangue da aliança, que vai ser derramado por todos” (Mc 14,22-24).
Este é o abraço Eucarístico de Jesus, com a Sua total e gratuita entrega – do Seu Corpo e do Seu Sangue - por nós, onde Ele se dá todo e abraça todos. No altar, de cada Igreja Ele deixa-se abraçar e comungar por milhões de homens e mulheres.

- Na cruz, Jesus, de braços abertos, deseja abraçar toda a humanidade, e inclui todos dentro do Seu abraço, porque Ele diz “a vida ninguém ma tira, sou Eu que a ofereço, livremente” (Jo 10,18)  Abraça até o ladrão arrependido. O abraço na cruz é o Grande Abraço que envolve e contém tantos abraços acolhedores, oferecidos, dados ao longo de toda a Sua vida terrena. É o abraço eterno dado, aberto e vivo para sempre!
«Jesus, lembra-te de mim, quando estiveres no teu Reino.» Ele respondeu-lhe: «Em verdade te digo: hoje estarás comigo no Paraíso.» (Lc 23, 42-43)

- Ainda hoje, Jesus Ressuscitado, continua a abraçar toda a humanidade também através do Pentecostes, do envio do Consolador, do Espírito da Verdade, para que todos vivam na unidade que Jesus e o Pai experimentaram, e formem um só Corpo. (cfr. 1 Cor 12, 3b-7.12-13). Todo o cristão é enviado a consolar, a levar a esperança, a anunciar que Ele está Vivo…
“Enviai Senhor o vosso Espírito e renovai a face da terra” (cfr. Sl 103)
- O abraço silencioso, que Jesus anseia dar, é o abraço que muita gente esquece quando entra numa Igreja ou capela, e não pára uns minutos em frente, ao lado ou perto do sacrário, do “Jesus escondido”, como dizia o B. Francisco Marto, em Fátima. Este abraço silencioso é tão necessário e faz-nos tanto bem!
No fins dos tempos Ele lá nos espera para o abraço da Festa da eternidade!

- E eu, como vou abraçar? Como serei continuador deste imenso abraço de Jesus, para ajudar os outros a sentirem-se mais amados e felizes? Se eu me deixar abraçar por Jesus, então sim, poderei dar continuidade ao abraço d’Ele. Se como Maria Madalena for capaz de testemunhar com a vida, de gritar, de anunciar que Ele está Vivo, então sim, serei um “prolongamento” desse abraço infinito de Jesus.
Peçamos a Deus a graça de sermos também abraço e coração abertos a muitos, a todos, ao jeito de Jesus. Ele é modelo da amizade, do Amor sem fronteiras, sem medida, porque a medida do seu Amor é essa mesma, Amar sem medida.

Tu, abraça a vida com paixão e amor! Entra no abraço aberto de Jesus!
Termino com um pequeno texto que encontrei e que, de uma maneira mais poética e simbólica, nos pode ajudar a imaginar, a experimentar, a desejar e a dar o abraço, à semelhança de Jesus.
P. Hermínio Vitorino, sj

“Não descrimines ninguém.
Sê como o mar
Que acolhe no mesmo abraço
A água de qualquer rio”
(ICB)

Catequese - Celebração de Domingo de Ramos

Tal como a multidão esperava por Jesus, também todos os grupos da catequese e a comunidade esperavam para participar na grande festa. Simbolicamente, com a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém deu-se início à Eucaristia onde a presença dos ramos, a alegria das crianças e dos jovens e o “jardim” envolvente, criaram um ambiente de escuta e de oração.
Durante a Eucaristia houve a participação dos 12 Apóstolos à mesa, para que, de uma “forma mais humana”, fosse visível aos mais pequenos, o amor de Jesus por nós. 

Na partilha do pão e do vinho, os Apóstolos representaram as nossas fraquezas, omissões, negações e falta de fé no dia-a-dia.E, que Jesus, com o seu infinito amor, aceitou-nos e morreu por nós. Ressuscitando.

Após a Eucaristia, houve uma encenação preparada pelo Grupo de Jovens da nossa paróquia, dando enfoque às pessoas que se cruzaram na vida de Jesus, representando as nossas fragilidades mas também o caminho para a Páscoa. Foi um momento de música, poesia e de oração em que cada um foi convidado a sentir Jesus na sua humildade, na sua essência, sentindo a Cruz   como o caminho que nos leva a Jesus.                                                                                                                         Teresa Raquel Barata                                         



JESUS CRISTO RESSUSCITOU. ALELUIA!...

A Ressurreição de Cristo é um acontecimento que teve lugar realmente, mesmo que ninguém tenha visto Cristo a ressuscitar. Deste acontecimento nos falam os quatro evangelistas e Paulo. Foi um acontecimento de tal natureza que nele se funda a fé dos primeiros cristãos e a nossa própria fé. Com o grito da Ressurreição lançado ao mundo pelos Apóstolos: Jesus ressuscitou e é vida para nós”, todos se perguntavam: “que havemos de fazer irmãos”?. Esta pergunta é feita ainda hoje por cada um de nós e, da adesão a Jesus Cristo Ressuscitado, brota a fé cristã.
Costuma dizer-se, em teologia, que a Ressurreição de Jesus não é um facto “histórico”. Com isto não se quer dizer que não seja um facto real, mas apenas que a Ressurreição é uma realidade que transcende a nossa história. Isto é: este facto não é registável na história, mas está para além da história. Ninguém poderia fotografar tal facto, porque é mais que um fenómeno físico. É um facto real, mas a sua realidade está além do físico. A Ressurreição (tanto a de Jesus como a nossa) não é uma volta para trás, mas um passo para diante, um passo para outra forma de vida, uma vida nova, a vida de Deus. Mas o que acabamos de dizer são palavras da teologia que somente nos servem se, com elas, aprofundamos o mistério. O mais importante, para nós, é que a Ressurreição de Jesus é o fundamento da nossa fé, o objeto da nossa fé. De facto, os evangelhos não nos narram a ressurreição: ninguém viu Cristo a ressuscitar. Os testemunhos que nos trazem são de experiências de fiéis que, depois, “sentem vivo” o ressuscitado, mas não são testemunhas do próprio facto da Ressurreição.
É importante realçar este aspeto para nos darmos conta de que a nossa fé na Ressurreição não é a adesão a um “mito”, como ocorre em tantas religiões, que têm mitos de ressurreição. A nossa afirmação da Ressurreição não tem por objeto um facto físico, mas uma verdade de fé com um sentido muito profundo, que é o que queremos decifrar. Ninguém, repetimos, viu Jesus a ressuscitar e não temos palavras adequadas para falarmos do que aconteceu. Dizemos imperfeitamente que Jesus se “levantou” de entre os mortos e que Deus o “exaltou”, o “justificou”... Poderíamos dizer também que Deus deu razão a Jesus, contradizendo o juízo de Caifás que o tinha condenado à morte em nome da fé em Deus. Sem esta Ressurreição, a nossa fé seria vã, vazia de sentido, como diz Paulo. É a fé na Ressurreição que nos faz cristãos. A vida nova de que somos revestidos no dia do nosso batismo, avivámo-la na Vigília Pascal, e esta vida nova não é para o dia de amanhã. É para hoje!
 A nossa vida terrestre está marcada pelo sinal desta vida nova. No meio das nossas feridas, das nossas provas e até dos erros que possamos cometer, há um gérmen de vida, uma boa semente que já está em acção. A ação transformadora mais palpável da Ressurreição de Jesus foi, a partir de então, a sua capacidade de transformar o interior dos discípulos – antes desunidos, egoístas, divididos e atemorizados – para voltar a reuni-los em torno da causa do Evangelho e enchê-los com o seu espírito de perdão.
Os corações de todos estavam feridos. Na hora da verdade, todos eram dignos de censura, porque não tinham entendido correctamente a proposta do Mestre. Por isso, quem não o havia atraiçoado, tinha-o abandonado à própria sorte. “Ferido o Pastor”, todos se tinham dispersado e, por isso, todos necessitavam de voltar a reunir-se, voltar a dar coesão à comunidade de seguidores, no perdão mútuo, na solidariedade, na fraternidade e na igualdade. Tudo isto era humanamente impossível. Contudo, a presença e a força interior do “Ressuscitado” conseguiu-o.
            A fé na Ressurreição diz-nos que depois da nossa morte continuamos a ser nós próprios, embora de modo diferente. Esta afirmação é contrária ao pensamento da filosofia grega, segundo a qual, o homem é composto por um corpo e por uma alma. Para nós cristãos, segundo o pensamento da revelação bíblica, a pessoa humana é um todo e a fé na ressurreição diz-nos que, depois da morte, seremos nós próprios na fidelidade ao que temos vivido. “Creio na ressurreição da carne”, confessamos no nosso Credo.
Ao celebrarmos a Páscoa é impossível separar a Sexta-Feira Santa do dia de Páscoa, ou a Crucifixão da Ressurreição. Contudo, é na esperança, que hoje temos acesso á Ressurreição. Enquanto esperamos, acotovelamo-nos, todos os dias com a morte e com as mortes. De alguma maneira, temos que viver com os nossos entes queridos, que desapareceram, os três dias simbólicos do Túmulo, esperando pela nossa vez. Não esqueçamos a aflição de Jesus no alto da Cruz: “meu Deus, meu Deus porque me abandonaste”? e admitamos que há eclipses na nossa esperança. Mas que esta não morre porque fundada na Ressurreição do “meu Senhor”, de “nosso Senhor”. “Pai nas tuas mãos entrego o meu espírito”.
P. José Augusto Alves de Sousa, sj

ESTÁ VIVO!


Uma cena familiar:
Sinais de morte à sua volta,
Uma mulher de joelhos,
Chorando,

Junto ao túmulo do Amado.
Jesus de Nazaré,
Um nome gravado na pedra:
A sua morte, violenta;
A sua sepultura,
Entre os numerosos túmulos
Dos mortos
Que pontilham o solo,
Em todos os lugares da nossa terra.


Maria de Magdala.
Deves ter vindo de muito longe.
Os teus pés maltratados,
Descalços,
Contam-nos a história
Da tua viagem
Pela noite,
Para tocar a pedra
Daquele que amas,
E que já não É.

Mulher,
Porque o procuras
entre os mortos?
Porque choras?
Olha para o céu.

Não consegues perceber?
A luz dum brilhante alvorecer
Dissipa a escuridão
Da noite.
Racha as pedras.

A Morte foi derrotada!
As sepulturas estão banhadas de luz,
Aquecidas, acordadas.
Agora, essa luz brilha em ti,
Tão luminosa
Que quase não a podes suportar.
Ouves?
Ele chama-te pelo teu nome.

Maria, Mulher,
Vai e diz aos meus irmãos.
Diz a todos: «Estou vivo!»
Rina Risitano
in "A Loucura de Deus"

fevereiro 28, 2012

Fevereiro 2012 nº. 64

AS ONDAS DO MAR

Quaresma

Este nome tem que ver com os quarenta dias que a liturgia da Igreja nos propõe como tempo de preparação para a Páscoa. Porquê quarenta dias? O número 40 tem muitas ressonâncias bíblicas como, por exemplo, os 40 dias e 40 noites do dilúvio (cf. Gn 7,12); os 40 anos da travessia do deserto, pelo Povo Israelita, a caminho da Terra Prometida; os 40 dias de jejum de Moisés, no monte Sinai à espera da revelação de Deus (Ex 24, 12-17); e, sobretudo, os 40 dias e 40 noites de jejum e oração de Jesus, imediatamente antes do começo da sua missão de pregação.  (Mt 4,2).

Como lembra Bento XVI, cada um destes acontecimentos bíblicos contém, de algum modo, o significado de “tempo da espera, da purificação, do retorno ao Senhor, da consciência de que Deus é fiel às promessas”. Todos apontam para a necessidade de “uma paciente perseverança, uma longa prova, um período suficiente para ver as obras de Deus, um tempo de decisão quanto a assumir as próprias responsabilidades”. Por um lado, são tempos de reencontrar e purificar o amor a Deus e, por outro, são ocasiões de tentação para retornar ao paganismo. Para o próprio Jesus, os 40 dias de deserto foram de decisão quanto ao tipo de messianismo a escolher: ou o messianismo político “de poder e de sucesso ou um messianismo de amor, de dom de si”, de aproximação a todos, sobretudo aos mais necessitados.

Também, na vida de cada cristão, idêntico dilema se coloca e, ao menos simbolicamente, ele é particularmente vivido durante o deserto quaresmal. A opção situa-se entre o caminho aberto “que confirme a própria fé, que nutra a própria esperança, que anime a caridade” e a sempre presente tentação do secularismo e da cultura materialista, que “fecha a pessoa no horizonte mundano do existir, tirando toda a referência ao transcendente”.

Foi também esta a escolha que Moisés propôs solenemente ao Povo de Israel, antes da entrada na Terra Prometida, como lemos, há pouco, na 1ª leitura da missa de quinta-feira-depois-das-cinzas: “Ponho hoje diante de ti a vida e a felicidade, a morte e a infelicidade. Se cumprires os mandamentos do Senhor - amando o Senhor, teu Deus, seguindo os seus caminhos - viverás e o Senhor, teu Deus, te abençoará na terra de que vais tomar posse. Mas se o teu coração se desviar, se te deixares seduzir para adorar e servir outros deuses, declaro-te hoje que não prolongarás os teus dias na terra em que vais entrar” .  (cfr. Dt 30, 15-20).

A Quaresma é muitas vezes associada a tristeza e luto, mas, como também lembra o Papa, deve ser vivida na antecipação da alegria pascal, pois o seu sentido profundo é de preparação para esse dia – o  Dia do Senhor, por excelência. Vivê-la tristemente seria cair no erro que Jesus recrimina: “Quando jejuares, não tomes um ar sombrio” (…) mas “perfuma a cabeça e lava o rosto” . (Mt 6, 16-17).  

A Quaresma é certamente tempo de busca do essencial, de acertar o rumo e de aceitar a misericórdia que Deus nos oferece. É caminho de regresso à casa do Pai, na alegre certeza de que Ele nos recebe em festa, como na parábola do filho pródigo. De facto, todos temos algo da rebeldia deste filho mais novo. Reconhecê-lo, ajudar-nos-á a evitar a má-figura do filho mais velho.

Seguindo ainda uma sugestão do Santo Padre, façamos esta caminhada quaresmal em comunhão com os irmãos, de acordo com a recomendação da Carta aos Hebreus (10,24): “Prestemos atenção uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras”. E sejamos concretos, pois a situação difícil do nosso país exige-nos que esta “atenção aos outros” não se feche no círculo restrito dos mais chegados, mas se abra também à preocupação com os mais necessitados. O nosso jejum terá expressão significativa quando resultar em ajuda concreta aos irmãos e irmãs que, de facto, passam fome.

Em resumo, tomemos para nós, nestes dias (e sempre), os conselhos de S. Paulo aos Romanos (12, 9-12): “ Que o vosso amor seja sincero. Detestai o mal e apegai-vos ao bem. Deixai-vos inflamar pelo Espírito; entregai-vos ao serviço do Senhor. Sede alegres na esperança, pacientes na tribulação, perseverantes na oração”.

P. Manuel Vaz Pato, sj

(Esta nota inspira-se abundantemente em dois textos recentes de Bento XVI que podem ser encontrados no site do Vaticano: www.vaticano.org,  “a mensagem para a Quaresma e a catequese de Quarta Feira de Cinzas”.)

TESTEMUNHO

Na nossa paróquia de S. Pedro temos, graças a Deus, actualmente um grupo de Ministros Extraordinários da Comunhão, constituído por 13 membros, cuja missão principal consiste em ajudar o sacerdote a distribuir a comunhão. Este ministério é realizado na Igreja e na visita domiciliária a doentes ou idosos, levando-lhe a sagrada comunhão. Desta vez quisemos dar-lhes a palavra e, como tal pedimos a um deles que nos falasse, um pouco, da sua experiência tão rica e variada, de alguém que desempenha e se dedica a este ministério com todo o entusiasmo, alegria e esperança.
                                          P. Hermínio Vitorino, sj


Quando, há já uns anos atrás, fui convidada para fazer o Curso de Ministros Extraordinários da Comunhão, achei que era um desafio muito grande que o Senhor me fazia, por não me sentir digna de tal, mas aceitei, consciente da responsabilidade que daí advinha.

Até agora não me arrependi, porque tem exigido de mim uma fidelidade e uma união cada vez maior ao Senhor, através da participação diária na Eucaristia, muita oração e meditação da Palavra de Deus, às quais vou buscar força necessária para um testemunho de vida coerente, com transparência e simplicidade e sempre numa atitude de busca constante ao serviço dos irmãos.

Durante 25 anos fui catequista nesta Paróquia de S. Pedro porque, como profissional da educação que era, me sentia mais vocacionada para trabalhar com crianças. Interrompi essa atividade há dois ou três anos por motivos de saúde. Passei então a ocupar-me mais dos idosos, sobretudo dos que vivem sós, a quem dedico a minha amizade, levando-lhes não só o alimento espiritual mas também prestando-lhes pequenos e variados serviços de que necessitam.

A relação que entre nós se estabelece é muito forte e gratificante e, quando Deus os chama, é como se fosse um familiar meu que parte.

É sempre com ansiedade que esperam o Ministro extraordinário da Comunhão, pois leva-lhes não só o Pão da Palavra e da Eucaristia mas também uma palavra amiga de esperança e de confiança no Senhor que, a qualquer momento, pode bater à porta.

Digo-vos que vale a pena viver e trabalhar com e para o Senhor, pois a alegria e a paz interior que Ele nos proporciona superam todas as dificuldades e todos os sacrifícios.

Maria dos Anjos Mugeiro

Ciclo Quaresmal B (actual ano pastoral)


Como sabemos, a Quaresma começa na Quarta-feira de Cinzas e termina no sábado anterior ao Domingo de Ramos. Oferece-nos a oportunidade de reflectir sobre o cerne da vida cristã: o amor, o dar a vida. Aproveitemos bem este tempo, fazendo-nos peregrinos como e com Jesus, buscando a vontade de Deus para a nossa vida, para que assim possamos participar, com mais intensidade, da Sua alegria Pascal.

Neste ano de 2012, os textos que nos serão apresentados ao longo deste ciclo de cinco semanas, mostram-nos um percurso claro e definido:


1º domingo - Deus quer oferecer-nos um mundo onde a felicidade é possível.

2º domingo - A sua Palavra ensina-nos o caminho.

3º domingo – A Palavra de Deus chama-nos e conduz-nos à conversão e à renovação interior.

4º domingo - Aceitar esta Palavra implica, pois, mudar de vida. Fiquemos, contudo, certos do amor de Deus, gratuito e incondicional

5º domingo - Quanto a nós, temos de estar atentos ao seu plano de salvação e ir ao encontro dos outros, no amor e no serviço.

A “nova evangelização”, a que a Igreja nos convida, a todos, nesta Quaresma, impele-nos a não guardarmos este segredo da bondade e do amor misericordioso de Deus mas a partilhá-lo à nossa volta.

P. Hermínio Vitorino, sj

Recomendações de D. Manuel Felício para a Quaresma

Na sua mensagem Quaresmal, intitulada “Criar proximidade para construir comunidade”, o nosso Bispo, D. Manuel Felício, deixa-nos as seguintes recomendações, que nos poderão ajudar na caminhada para a Páscoa, que apenas iniciamos.

“A Quaresma constitui a grande oportunidade que nos é dada para relançarmos a nossa vida de Fé, procurando principalmente cuidar a partilha, o silêncio e o jejum, sempre na esperança de saborearmos as alegrias da Páscoa […].

Há urgências que a Quaresma nos lembra e uma delas é a de darmos a devida atenção uns aos outros.[…]

Ao longo desta Quaresma, queremos, assim, cultivar a autêntica proximidade para construir comunidade, principalmente das seguintes formas:

1. Celebrando a nossa Fé, com especial cuidado e entusiasmo, principalmente na Eucaristia. Recomendamos também que se reze nas comunidades pelo menos uma hora da Liturgia das Horas. E pedimos às Comunidades Religiosas e outras de especial consagração e também a grupos que já o costumam fazer que, pelo menos ao domingo, celebrem a Liturgia das Horas com o Povo.

2. Escutando e partilhando, com mais diligência, a Palavra de Deus contida na Bíblia, não só nas assembleias litúrgicas, mas também nos grupos bíblicos que estamos a incentivar por toda a nossa Diocese;

3. Respondendo, com generosidade, ao apelo da renúncia quaresmal. Este ano vamos dirigir a nossa renúncia quaresmal para a constituição e fortalecimento do nosso Fundo Diocesano de Solidariedade, à semelhança do Fundo de Solidariedade que é promovido pela Conferência Episcopal. São muitos os casos de pessoas que nos estão a bater à porta, pedindo ajuda material, porque lhes faltam os meios elementares de subsistência.

4. Alguns têm vindo a ser atendidos pela Caritas Diocesana e pelas Conferências de S. Vicente de Paulo. Porém, já há falta de meios para atender às necessidades e a evolução dos acontecimentos faz-nos prever que as dificuldades vão aumentar”.

(Extracto da Mensagem “Criar proximidade para construir comunidade” do D. Manuel Felício para a Quaresma de 2012. Para ver a mensagem completa pode consultar o site: www. diocesedaguarda.pt).

Viagem no deserto - dia cinzento



Guia-nos, Deus,
na viagem através do deserto
até ao lugar da tua crucifixão
e da tua Páscoa
Guia-nos, Deus,
da via cinzenta dos nossos dias
à  via gloriosa da tua cidade.
Seja este o tempo favorável
para a confissão do pecado e do louvor,
nós que vivemos na fragilidade do corpo nómada
o imaginário do oásis
e os lugares de repouso
Guia-nos, Deus,
para a inquietação que permanentemente te nomeia,
Deus em Jesus Cristo e no Espírito consolador


José Augusto Mourão
In O Nome e a Forma,
ed. Pedra Angular